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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Comparativo: Chery QQ x Fiat Mille

Chinês e o antigo Uno, na versão duas portas, são os mais baratos do país.
QQ se destaca por itens de série, mas Mille tem melhor desempenho.

Ao desembarcar por aqui em maio passado, o Chery QQ mexeu com a concorrência, assumindo o posto de automóvel mais barato do Brasil. Dois meses e um reajuste de R$ 1.000 depois, o chinês com cara de desenho animado foi ‘destronado’ pelo experiente Fiat Mille, que retomou a posição de mais em conta do país. Enquanto Chery e Fiat travam batalha de preços, o G1 mostra como fica a briga no quesito desempenho, entre outros. Os dois veículos foram avaliados no perímetro urbano e em rodovias de São Paulo.

Com versão única, Chery QQ parte de R$ 23.990; Fiat Mille Economy começa em R$ 23.490, para duas portas, e R$ 25.350, para quatro portas 
Quatro e duas portas
Produzido do outro lado do mundo, o QQ – que em chinês significa ‘fofinho’ – parte de R$ 23.990, enquanto o Mille Economy,  fabricado em Betim (MG), é R$ 500 mais em conta, na versão duas portas. No entanto, como o objetivo era confrontar versões mais próximas possíveis, já que o QQ só existe com quatro portas, a opção do Fiat levada em conta neste embate é também a quatro portas. Ela custa R$ 25.350 –R$ 1.360 a mais que o Chery.  De qualquer forma, as versões de entrada do Mille Economy,  seja com duas ou quatro portas, apresentam o mesmo nível de equipamentos, mesmo motor e dimensões.
O trunfo do QQ não é só o preço competitivo, mas também o que ele entrega como itens de série por este valor. O chinês traz de fábrica airbag duplo, freios com ABS (antitravamento), direção hidráulica, ar-condicionado, travas, vidros (das quatro portas) e espelhos elétricos, faróis de neblina, rádio CD player com MP3 e conexão USB, desembaçador e limpador do vidro traseiro, abertura interna do porta-malas e do tanque de combustível. As rodas de 13 polegadas são de aço.
O Mille, por sua vez, não entrega de série nenhum dos itens acima citados – airbag duplo, freios com ABS, faróis de neblina, espelhos elétricos sequer são opcionais e abertura interna de tanque de combustível e do porta-malas. Para equipar o Fiat com uma lista próxima à do QQ, o comprador terá que desembolsar R$ 2.075 pelo ar-condicionado e R$ 3.735 pelos demais itens (kit Top 2), elevando o preço do veículo para R$ 31.160.

Desempenho
Quando os motores são ligados, o Fiat começa a recuperar o espaço perdido no quesito custo-benefício. Com motor 1.0 8V flex, o Mille entrega 66 cavalos a 6.000 rpm e 9,2 mkgf de torque já a partir de 2.500 rpm (quando abastaecido com álcool), o que lhe garante boa agilidade no perímetro urbano. Acelerações e retomadas são satisfatórias para seus 830 kg.
No entanto, para melhorar a dirigibilidade do veterano, a transmissão manual de cinco velocidades poderia ter engates mais precisos e curtos, a direção deveria ter menos folga e a suspensão precisa ser um pouco mais firme, inibindo um pouco a inclinação da carroceria nas curvas mais acentuadas.
O QQ traz sob o capô um motor 1.1 16V, que funciona apenas com gasolina, mas os índices de performance são parecidos: 68 cv a 6.000 rpm e torque de 9,1 mkgf entre 3.500 e 4.500 rpm – números que agradam para 890 kg.
O câmbio manual de cinco velocidade tem engates longos e barulhentos, gerando forte impressão de fragilidade. Já a suspensão é ‘molenga’ demais – uma característica dos carros com DNA chinês. Ao passar por buracos ou abusar em algumas lombadas, é possível sentir a traseira ‘pulando’ - causando desconforto. Nas curvas, a inclinação da carroceria é acentuada, transmitindo sensação de insegurança.
Acabamento
Internamente, o acabamento dos dois veículos deixa muito a desejar. Entrar no Mille, por exemplo, chega a ser nostálgico. O modelo ainda conta com elementos do Uno das décadas de 1980 e 1990. São muitas peças plásticas, algumas com rebarbas e encaixes pouco precisos. Em alguns pontos é possível ouvir o bate-bate das peças Os porta-objetos das portas são muito apertados.


Acabamento interno do Mille é espartano e remete ao Uno da década de 1990 (Foto: Daigo Oliva/G1)O painel de instrumentos, que apesar de trazer o Econômetro (medidor analógico que indica se a condução está consumindo muito ou pouco combustível), não tem conta-giros e computador de bordo. A falta de ajuste de altura e profundidade da coluna de direção também incomoda, por impedir que o motorista encontre a melhor posição ao volante. O banco do condutor também não tem regulagem de altura.

Para ter o Econômetro, painel do Mille perde o
conta-giros
O Chery enfrenta os mesmo problemas que o Fiat, apesar de ser um pouco mais ‘moderninho’ por dentro. Há excesso de peças plásticas na cor branca – com o que o brasileiro ainda está começando a se acostumar – e elas apresentam folgas acentuadas. Isso provoca barulhos incômodos dentro da cabine. Também não há regulagens da coluna de direção e do banco do motorista, apesar da posição de dirigir ser elevada.

Avcabamento do QQ utiliza tons claros para transmitir a sensação de mais espaço A tecnologia se faz presente no painel de instrumentos, com leitores digitais –conta-giros, velocímetro e medidor de combustível. Mas a falta de precisão assusta. Ao dar a partida, o velocímetro salta, mesmo com o carro parado, para 4 km/h. Na estrada, é impossível cravar uma única velocidade. Tentando rodar a 100 km/h, o velocímetro oscila entre 98 km/h e 102 km/h. Sendo assim, o leitor de consumo instantâneo – também digital – também causa desconfiança quanto a sua precisão.
Painel de instrumentos temn visual moderno com
leitores digitais 
Ponto negativo para alguns comandos. Para ligar a lanterna, por exemplo, é um botão que em outros veículos serviria para regular a altura do facho de luz.
Espaço
Neste ponto, o Mille é ligeiramente superior. Apesar dos 14 cm a mais de comprimento, o Fiat é apenas 2 cm maior na distância entre os eixos e 4 cm mais baixo que o Chery. No entanto, por ser mais largo, o modelo mineiro levar com ‘menos desconforto’ três pessoas no banco de trás. No QQ, isso é praticamente impossível. O Mille também leva vantagem no porta-malas: são 290 litros contra 190 l do carro chinês.
Design
Olhando de fora, os dois veículos são completamente diferentes. Enquanto o Chery apresenta contornos arredondados e, até certo ponto, atuais, o Mille é ‘quadradão’, sisudo e pouco evoluiu desde sua chegada ao Brasil na década de 1980. No entanto, há quem prefira a sobriedade do Fiat à simpatia do QQ. É uma questão de gosto.

QQ é mais arredondado e moderno, enquanto o Mille mantém estilo 'quadradão'

Conclusão
O QQ leva a melhor no preço e no nível de equipamentos, mas nos quesitos desempenho e espaço acaba patinando diante da experiência do Mille. O Fiat também é superior em um fator subjetivo, mas que pesa na hora de fechar uma compra: a ‘confiança’. Por mais que a Chery tenha anunciado o início da construção de uma fábrica no Brasil, as chinesas – não apenas a fabricante do QQ – ainda causam leve receio no mercado. Sendo assim, apesar de inferior no custo-benefício, o Mille ainda parece uma compra mais segura. O tempo poderá desmentir isso.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

DODGE RAM X FORD F-250 XLT 4X4

MONSTROS S/A - ESTAS PICAPES PASSAM DAS MEDIDAS QUANDO O ASSUNTO É TAMANHO E FORÇA.


Qualquer número é surpreendente na nova Ford F-250, que chega às lojas com motor a diesel eletrônico e tração 4x4, como modelo 2007. Ou na Dodge RAM 2500, sua rival direta. Do tamanho da vareta de óleo do cárter (1,14 metro, na RAM) à posição do banco (1 metro acima da rua na F-250, suficiente para pôr o motorista no último andar entre os carros de passeio, o bastante para enxergar o teto de um VW Fox, que tem 1,54 metro de altura). O motor Cummins 3.9 que passa a equipar a F-250 entrega, na roda, 2235,4 mkgf de torque. Não fosse a falta de aderência, as duas poderiam, literalmente, subir paredes - ou derrubá-las.
Surpreendentes também são os números da Fenabrave: em janeiro e fevereiro, foram emplacadas 248 unidades da F-250 e 139 da RAM. Parece pouco, mas lembre que estamos falando de carros com mais de 5,4 metros de comprimento e 2 de largura, que exigem carteira de habilitação tipo C, de caminhoneiro. E saiba que 65% destas picapes usam tanto espaço (onde caberiam sete motos CG 125) para levar apenas três passageiros: são versões cabine simples. Segundo a Ford, a chegada das F-250 4x4 (antes, limitadas ao 4x2) deve mudar o panorama.
A briga está acirrada. A Dodge oferece desconto de 9% na versão cabine simples e a Ford não fechou o preço de sua novidade: 110000 ou 115000 reais, dependendo da continuidade da promoção da RAM. O normal seria a líder ditar o preço, mas o fato é que a rival está barata. A picape Dodge é isenta de impostos de importação (por ser fabricada no México) e é favorecida pelo dólar em baixa e pela economia de escala. É vendida nos Estados Unidos (51677 unidades em janeiro e fevereiro, mais que Celta, Palio e Fox somados). Na realidade brasileira, a RAM poderia custar mais que a F-250, pois entrega mais.

Usina de força Mas, primeiro, a grande novidade: a Ford passou do MWM 4.2, de seis cilindros, para o Cummins 3.9 MaxPower, de quatro cilindros. É menor, só que mais moderno: injeção common-rail, acelerador eletrônico e quatro válvulas por cilindro. "De 1200 a 3000 rpm, o MaxPower tem mais torque que o máximo atingido pelo MWM. A nova F-250 poderia subir a Rodovia dos Imigrantes (que tem inclinação de 6%) a 135 km/h, contra 115 km/h da outra", diz Gilberto Geri, engenheiro da Ford. Uma bela evolução, mas os 203 cavalos (e 56 mkgf de torque) parecem pouco, comparados aos 330 cavalos (e 81,4 mkgf) a serviço da RAM.
O motor usado pela Dodge é um seis-cilindros de 5,9 litros, também eletrônico. Foi escolhido pela WardsAuto (publicação americana especializada em automóveis há 82 anos) como um dos dez melhores do ano, em 2004, e consegue ser querido nos Estados Unidos, o país do V8 a gasolina. Com essa usina de força (capaz de iluminar centenas de casas, se fosse usada como gerador), a RAM vai aos 100 km/h em 9,9 segundos, rápida como um Peugeot 407 V6. A F-250 leva 15,6 segundos - bem mais lenta, mas de bom tamanho para uma picape de 3 toneladas, com centro de gravidade alto e suspensões rudimentares. A Ford tem molas mais firmes e amortecedores traseiros montados para fora das longarinas, distantes um do outro, dando maior controle ao carro. Na trilha esburacada, a RAM pula muito (desculpe o trocadilho), mas é um ônibus executivo em estrada lisa.

Só a Dodge tem câmbio automático (e, por outro lado, a Dodge só tem câmbio automático). É uma caixa de apenas quatro marchas, um tanto indecisa sobre qual delas usar. Nenhuma maravilha, mas ainda assim mais cômoda que o câmbio manual de cinco marchas da adversária. Com a alavanca em Drive e o piloto automático acionado, o motorista da RAM só precisa virar o volante, trocar os CDs do rádio (não há MP3), acompanhar os números do computador de bordo (um visor azul, no teto, como no Del Rey) e apreciar a vista. O banco do motorista tem ajustes de distância, altura e inclinação do assento elétricos e o mais largo descansa-braço do mundo. É o banco do meio, que tem cinto de três pontos e, nas horas vagas, pode ser abaixado. Ah, ia esquecendo: ele ainda se desdobra em dois porta-objetos, com direito a divisórias e tomada de 12 volts. E, se os objetos forem grandes, atrás dos bancos há uma larga plataforma de plástico.
Escalada A F-250 é o contrário de tudo isso. A bagagem de mão vai no colo, nos pés ou na caçamba, pois a cabine é mais apertada. O terceiro passageiro é cidadão de terceira categoria, com a alavanca de câmbio lhe tomando espaço e protegido por cinto abdominal. O motorista tem banco com ajuste manual de altura (o volante também, mas a articulação na coluna de direção fica tão próxima do motorista que o efeito é mínimo). Computador de bordo? Piloto automático? Nem como opcional. E, se o motorista quiser escalar os 70 centímetros que separam o piso da cabine e o chão, que suba o estribo com as próprias pernas, porque a alça na coluna do pára-brisa é privilégio do carona. Como novidades, a Ford acena com rádio MP3, tecido aveludado e seletor de roda-livre no cubo da roda. Útil no fora-de-estrada, permite descer ladeiras usando freio motor também nas rodas dianteiras, quando a tração 4x4 com acionamento elétrico (presente nas duas picapes) atuaria apenas no eixo traseiro. A caçamba cresceu 41 centímetros em relação à usada nas versões cabine dupla e na cabine simples 4x2, mas ainda assim é 10 centímetros mais curta que a da RAM e 6 centímetros mais estreita (empata em altura).
Como defender a F-250 diante da RAM? Na apresentação à imprensa, a Ford ressaltou o fato de montar o carro aqui, com peças nacionais, livre de uma possível reviravolta na cotação do dólar, e de ter rede autorizada maior. É tudo verdade - e, diante disso, o comprador da Dodge RAM só tem a agradecer. O motor da picape mexicana é da mesma família deste agora usado pela F-250. Muda o número de cilindros, mas boa parte das peças é comum - como nos Opala de quatro e seis "bocas". Quer dizer que, graças à Ford, o cliente da Dodge terá mais lugares a que recorrer em caso de emergência. Poderá procurar ainda a assistência das divisões de caminhões da Ford e da Volkswagen: elas usam o Interact, versão do MaxPower adaptada ao trabalho pesado. Nem mesmo uma crise cambial haverá de parar a gigante RAM.

Comparativo Dodge RAM x F-250
s : Item de série
o : Opcional
- : Não-disponível
Bolso
O preço da F-250 é estimado. O valor definitivo depende do fim (ou não) da promoção de RAM

carrosRAMF-250
Preço do carro básicoR$ 105.000R$ 110.000
Garantia2 anos ou 50.000 km2 anos ou 250.000 km
Número de concessionárias43450
Consumo estrada (km/l)7,17,8
Consumo cidade (km/l)8,69,3
Tanque de combustível/autonomia (l)/(km)128 / 1.100110 / 1023
Conforto
carrosRAMF-250
Ar-condicionado/direção hidráulicas / ss / s
Rodas de liga leve/pintura metálicas / os / o
CD player/comandos no volantes / -s / -
Vidros/travas elétricoss / ss / s
Espelhos/teto solar elétricos / -s / -
Janela traseira basculante-s
Câmbio automático/cruise-controls / s- / -
Computador de bordo/bancos de couros / -- / -
Segurança
A F-250 tem ABS apenas nas rodas traseiras e freio a disco apenas nas dianteiras. A RAM tem discos e ABS nas quatro rodas

carrosRAMF-250
ABS/ABS-t/BAS/EBDs / - / - / s- /s / - / -
Controle de tração/estabilidade- / -- / -
Airbags (motorista/carona)s / ss / -
Encosto de cabeça/cinto de 3 pontos para 3º passageiro- / ss / -
Alarme/imobilizador/controle de aberturas / s / ss / s / s
Desempenho
Câmbio automático explica em parte a enorme vantagem da RAM nas retomadas.
Vindo a 120 km/h, o Mégane da edição passada parou 21,4 metros antes desta F-250.

carrosRAMF-250
0-100 km/h (s)9,915,6
0-1000 m (s)31,736,6
D/3ª 40 a 80 km/h (s)4,36,8
D/4ª 60 a 100 km/h (s)5,510,3
D/5ª 80 a 120 km/h (s)715
Velocidade máxima (km/h)157159
Frenagem 120/80/60 km/h a 0 (m)74,3 / 34,4 / 19,480,2 / 32,4 / 18,8
Ruído interno PM/RPM máx (dB)36,6 / 66,650,6 / 70,8
Ruído interno 80/120 km/h (dB)61,4 / 66,263,2 / 68,3
Velocidade real a 100 km/h (km/h)95,894,6
Ficha técnica
Os dois motores Cummins têm mesmo diâmetro e curso, sendo que o da RAM é 50% maior. Cada cilindro tem quase 1 litro.

carrosRAMF-250
Motor/posiçãodianteiro/ longitudinaldianteiro/ longitudinal
Construção/cilindrada (cm3)6 cil. em linha / 58834 cil. em linha / 3920
Diâmetro/curso (mm)102 / 120102 / 120
Taxa de compressão17,2:117,3:1
Potência (cv a rpm) (A/G)330 a 2900203 a 2900
Torque (mkgf a rpm)81,4 a 160056 a 1500
Câmbio (tipo/marchas/tração)autom. / 4 / 4x4manual / 5 / 4x4
Direção (tipo/nº voltas)hidráulica / 2,8 voltashidráulica / 3,8 voltas
Suspensão dianteiraeixo rígidoeixo rígido
Suspensão traseiraeixo rígidoeixo rígido
Freios (tipo/dianteiro/traseiro)hid. / disco / discohid. / disco / tambor
Pneus265/70 R17265/75 R16
Dimensões
Mais longa que elas, só a F-250 cabine dupla, com 624 cm.

carrosRAMF-250
Comprimento/entreeixos (cm)583 / 357576 / 348
Altura/largura (cm)202 / 198200 / 207
Caçamba (comprimento/largura/altura) (cm)261 / 167 / 51250 / 161 /51
Peso (vazio/carga útil/capac. de tração) (kg)3073 / 1009 / 55912825 / 1165 / 5500
Peso/potência (kg/mkgf)9,313,9
Peso/torque (kg/mkgf)37,850,5
Diâmetro de giro (m)14,915,7
condições do teste
Temperatura: 25 ºC
Pressão atmosférica: 758 mmHg
Altitude: 660 m
Umidade relativa: 53%
veredicto
A Dodge RAM é mais estradeira e a Ford F-250, mais lameira. Talvez você não precise do motor de 330 cavalos e do câmbio automático oferecidos pela RAM. Mas ela custa o mesmo que a F-250 e traz, a mais, airbag do carona, ABS e freio a disco nas quatro rodas, computador de bordo e rodas aro 17.

F-250
R$ 110.000
Novidades: motor, grade, tração 4x4, caçamba, faróis, grafismo no painel e estofamento. E a mesma cara desde que foi lançada, em 1998.
SUSPENSÃO
bom - Melhor que a da RAM, mas não a ponto de ganhar uma estrela a mais. Receita antiga, com eixo rígido e feixe de molas, mas com calibragem firme.
AO VOLANTE
razoável- Bancos confortáveis. A regulagem do volante interfere pouco em altura e muito na inclinação: na prática, escolhe-se entre os modos "normal" e "Kombi". Gasta mais espaço para manobrar que a rival: 15,7 metros.
CARROCERIA
bom - É dura a vida do terceiro passageiro, com o túnel central alto, inclinado nas beiradas, e com a alavanca de câmbio no meio. Como falta espaço atrás dos bancos, a bolsa de viagem precisa ir no colo ou na caçamba.
MOTOR E CÂMBIO
excelente - Belo conjunto, finalmente com tração 4x4. A derrota na pista foi contundente, mas a F-250 não é fraca. A RAM é que exagera.
MERCADO
bom - No mercado há oito anos, tem valor de revenda e público cativo. Mas está cara, comparada à rival. Não assine o cheque antes de saber quanto custa o seguro na sua cidade.

RAM
R$ 105.000
Feita no México, a terceira geração da RAM estreou em 2002. Foi lançada aqui em 2005, com cabine dupla. A simples veio este ano.
SUSPENSÃO
bom - Confortável na estrada, enjoativa em caminhos esburacados. Com eixo rígido na frente e atrás, abre mão da eficiência em prol da resistência.
AO VOLANTE
bom - A direção é precisa, apesar do sistema de esferas recirculantes. O banco do motorista tem ajustes de altura e inclinação do assento elétricos, e o volante tem regulagem de inclinação e distância. Manobrar é que é difícil: o diâmetro de giro é de 14,9 metros.
CARROCERIA
excelente - Caçamba maior, cabine mais espaçosa e visual de torcer o pescoço.
MOTOR E CÂMBIO
muito bom - Câmbio automático indeciso, de reações lentas e com poucas marchas. Mas o motor de seis cilindros é
tão bom que, no fim das contas, a picape Dodge anda agradavelmente bem.
MERCADO
muito bom - Bons ventos do dólar barato trazem a RAM por menos que a F-250, mesmo tendo câmbio automático. O motor tem primos feitos no Brasil, mas não podemos esquecer que a RAM sempre será um carro importado de baixo volume, com peças de acabamento que jamais serão nacionalizadas.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Saveiro encara Strada na luta pela liderança

VW traz motor 1.6 e parte de R$ 30.990; Fiat é 1.4 e começa em R$ 34.360


Quem tem mais de 25 anos provavelmente lembra o charme que representava ter uma Saveiro no fim dos anos 80 e começo dos 90. A “Saveirinho”, ao lado de esportivos como Chevrolet Kadett GS/GSi, Ford Escort XR3 e Volkswagen Gol GT/GTI, era o sonho da rapaziada na época. Mas muita coisa mudou.
A Saveiro envelheceu muito, o valor de seu seguro (que nunca foi barato) ficou proibitivo e, talvez o pior golpe, a Fiat lançou a Strada. Junte esses fatos e você entenderá por que a Saveiro perdeu a fama que tinha em seus “anos dourados”.
Mas no fim de agosto, com a chegada ao mercado da nova geração da picape da Volkswagen, os fãs da Saveiro ganharam motivos para acreditar que a época boa do modelo está de volta. Como nas versões anteriores, a alma de Gol (motor, câmbio, plataforma, interior etc.) predomina e as opções voltadas ao trabalho são quase coadjuvantes em um carro feito mesmo para os jovens que querem levar a moto, a prancha de surf ou simplesmente ter um estilo diferente para ir à faculdade.
Pensando no público que quer uma Saveiro ou uma Strada com um visual mais descolado, mas não está nadando em dinheiro para investir mais de R$ 40.000 nas versões top de linha Trooper ou Adventure, reunimos aqui as opções 1.6 Cabine Simples do modelo da Volkswagen (preços a partir de R$ 30.990) e Trekking 1.4 Cabine Simples da Fiat (R$ 34.360). As opções com cabine estendida foram descartadas para economizar dinheiro e ganhar espaço.
A picape VW traz motor 1.6 de 104 cavalos com álcool e 924 litros na caçamba. A Strada, líder disparada entre as picapes compactas, revida com uma caçamba de 1.100 litros, mas seu motor 1.4 traz apenas 86 cv.  
 
No lançamento da Saveiro, a Volkswagen foi clara ao afirmar que o objetivo é alcançar a liderança do segmento. A Fiat, sempre atenta aos movimentos do mercado, já preparou o contra-ataque com novas versões da Strada, como a Cabine Dupla e a Sporting.
Qual delas oferece o melhor compromisso entre ser um veículo utilitário e um carro de passeio? Descubra conosco.

Conheça antes de se apaixonar
 
Antes que você se encante por uma das duas picapes, algumas informações são imprescindíveis. Primeiro: a data de nascimento de cada uma. A Strada veio ao mundo em 1998 e conserva a mesma estrutura desde então. O primeiros motores 1.3, 1.5 e 1.6 de 8 válvulas e 1.6 16V deram lugar aos atuais 1.4 e 1.8 8V flex, mas a idade do projeto é a mesma. A Saveiro foi lançada antes, em 1982, mas mudou da grade à caçamba meses atrás. Na versão 2010, tudo é novo, ou seja, seu projeto tem 11 anos de vantagem em termos de engenharia automobilística. Esse é o grande ponto positivo da picape Volks.

Mas agora vem a notícia ruim: o preço do seguro. Fizemos três orçamentos com o mesmo perfil (homem de 40 anos, casado e morador da zona sul de São Paulo) e chegamos a preços semelhantes e uma média assustadora: R$ 4.600, ou 13,9% dos cerca de R$ 33.000 considerados na cotação.
 
A proteção da Strada sairia em torno de R$ 2.500, ou 7,1% de seus R$ 35.000 considerados. É claro que os valores de seguro mudam muito de acordo com o perfil e endereço do segurado, mas assusta saber que a picape da Volks tem uma média tão dispendiosa.
 
Nos custos de manutenção, empate técnico: o pacote composto por para-lama, retrovisor, kit de embreagem e jogos de pastilhas e amortecedores custa R$ 1.298 nas concessionárias Volkswagen e R$ 1.253 nas autorizadas Fiat.

Maciez vs. precisão
 
Se a Saveiro tem um valor de seguro alto, compensa na hora em que o motorista gira a chave e engata a 1ª marcha. O câmbio justo contrasta com a maciez da caixa de marchas da Strada, que também é boa, mas não consegue se equiparar à precisão alemã. Na picape da Fiat, você indica a marcha e não faz força para que ela entre. No modelo da VW, porém, há uma “atração” entre as engrenagens, que se sincronizam quase sozinhas.
 
Outra vantagem da Saveiro é o motor 1.6, que traz 200 cm3 a mais de cilindrada em relação ao 1.4 da Strada. São 18 cv de potência e 3,1 kgfm de torque de vantagem sobre o modelo da Fiat, o que reflete em boas diferenças na pista de testes: para acelerar de 0 a 100 km/h, a Saveiro levou 12s2, enquanto a Strada gastou 14s5. Nas retomadas, o modelo da Volks levou 13s4 para ir de 40 km/h a 100 km/h em 3ª marcha e 22s1 na prova de 60 km/h a 120 km/h em 4ª marcha. A Fiat, mais lenta, gastou 14s5 e 25s2.
 
Como era de se esperar, a Strada é mais econômica: rodando com 100% de álcool no tanque, mesmo combustível usado para os testes de desempenho, ela marcou 7,5 km/l na cidade e 12 km/l na estrada. A Saveiro só conseguiu 6,7 km/l e 10,6 km/l.

 
Quando os dois carros estão descarregados, a diferença de desempenho não é tão grande, já que o motor 1.4 da Fiat tem condução agradável na cidade e na estrada. Mas se a ideia for encher as caçambas, o 1.6 da Volks mostra porque faz diferença. Quem quiser o motor 1.8 na Strada Trekking paga R$ 1.690 a mais (vale lembrar que escolhemos a opção 1.4 em função do preço). A carroceria com cabine estendida exige um cheque R$ 2.620 maior no modelo da Fiat. A Saveiro, que só traz motor 1.6, cobra R$ 2.700 a mais pelo habitáculo com espaço extra.   
 
Falando em carga, a picape VW, que traz suspensão traseira com amortecedores e molas helicoidais (mais voltada para uso urbano), consegue carregar 10 kg a mais (715 kg vs. 705 kg), mas a Strada, com suspensão de feixe de molas (mais versátil para levar peso), vence neste quesito por ter uma caçamba 176 litros maior.

Utilitários na ponta do lápis
 
A versão Trekking da Strada é a mais cara do comparativo: parte de R$ 34.360 e traz computador de bordo, conta-giros, direção hidráulica com regulagem de altura, faróis de dupla parábola escurecidos, sistema Follow me Home (mantém os faróis acesos por determinado tempo depois que o carro é desligado), suspensão elevada e rodas de aço de 14” com pneus de uso misto 175/70, entre outros itens. Para completar o visual do modelo das fotos, só falta o jogo de rodas de liga leve, opcional de R$ 1.080.

Com o conjunto de rodas, ar-condicionado (R$ 4.001 a mais), capota marítima (R$ 1.144), travas e vidros elétricos (R$ 687) e janela traseira corrediça (R$ 293), a Strada chegará a R$ 41.565, mas estará bem completa.
 
A Volkswagen adota uma estratégia diferente com a Saveiro. A versão mais barata custa R$ 30.990, mas vem pelada. Traz apenas regulagem de altura do banco do motorista (item ausente na Strada) e pneus de uso convencional com a mesma medida da rival da Fiat.

Para perder a imagem de carro de trabalho e encarar a Strada de igual para igual no visual, a Saveiro precisa do Módulo Trend, que custa R$ 890 e traz itens como para-choques na cor do carro (a picape de entrada tem as peças pretas), tecido nas portas e conta-giros. Com o Módulo Body Color, que leva a tinta da cor da carroceria ao revestimento dos espelhos e a outras partes (a picape das fotos traz esse opcional), o preço sobe mais R$ 275.
 
A direção hidráulica só está disponível em um pacote de R$ 1.935 (Kit IV), que traz também travas e vidros elétricos, levando o preço da Saveiro a R$ 34.090. A Strada, na configuração mais próxima, custaria a esta altura R$ 35.047. São R$ 957 de diferença.

Se a ideia é ter uma Saveiro mais completa, você deve optar pelo Kit VI, que sai por R$ 5.025 e traz direção hidráulica, ar-condicionado, alarme, travas e vidros elétricos, totalizando R$ 37.180. Completa, adicionando a esses itens capota marítima (R$ 580), rodas de liga leve (R$ 1.360), janela traseira corrediça (R$ 325) e módulo Comfort II (coluna de direção regulável em altura e profundidade e brake-light, entre outros itens), a picape da Volkswagen custará R$ 39.935. Vale a pena adicionar aos pacotes airbag duplo e ABS, importantes itens de segurança que saem por R$ 2.675 nas autorizadas VW e R$ 2.827nas concessionárias Fiat.
 
Com equipamentos semelhantes, você já conferiu, a Strada custaria R$ 41.565, ou R$ 1.630 a mais. É uma diferença considerável, principalmente quando notamos que a Fiat é 1.4 e a VW traz motor 1.6. A Saveiro, porém, ainda está sendo vendida com “tabela cheia” por ser novidade, enquanto a Strada tem descontos de cerca de 5%. Essa diferença, contudo, tende a desaparecer nos próximos meses, já que a picape da Volkswagen deixará de ser a grande novidade do segmento e também terá de receber abatimentos para continuar atrativa.

Uso misto, decisão difícil
 
Não é demagogia dizer que a decisão entre Saveiro e Strada é difícil. Enquanto o novo modelo da Volkswagen traz a modernidade do projeto do Gol e um bom conjunto mecânico, a Strada é consagradíssima no mercado – pergunte a quem tem uma e muito provavelmente você ouvirá uma saraivada de elogios ao utilitário da Fiat, que tem custos baixos de manutenção e seguro, é espaçoso e valente para levar carga.  

Mesmo assim, na ponta do lápis, a Saveiro vence a líder de mercado do segmento. Com motor mais forte, preços sugeridos mais interessantes e uma dupla motor/câmbio excelente, a picape da Volks supera as dificuldades do preço do seguro e da caçamba menor. Se ela vai conseguir roubar a liderança da Strada, aí é outra história. Mas que tem tudo para trazer de volta o “tempo bom da Saveirinho”, isso tem.


Fiesta vs. Logan: duelo das caras novas

Com visual renovado, sedãs pequenos de Ford e Renault se mexem para voltar a atrair clientes

Renault Logan Expression vs. Ford Fiesta Sedan 1.6

Quem olha para o ranking de vendas do mercado brasileiro constata que Ford Fiesta Sedan e Renault Logan já tiveram dias melhores. No acumulado de 2010, eles ocupam, respectivamente, a 5ª e a 6ª posição no segmento, atrás de Fiat Siena, Chevrolet Corsa Sedan (incluindo Classic), Volkswagen Voyage e Chevrolet Prisma.
Para tentar recuperar mercado, Ford e Renault promoveram nas respectivas linhas 2011 de seus sedãs pequenos uma leve reforma visual e de acabamento na tentativa de, pelo menos, lembrar os consumidores de que eles também existem e, quem sabe, convencê-los de uma visita às suas concessionárias. 
Enquanto a nova geração não vem para o Brasil, o Fiesta ganhou a cara de seu irmão indiano Figo, nada mais do que o mesmo carro vendido aqui, porém com mudanças específicas para o país asiático. Para quem esperava não só a cara, mas o corpo todo do europeu, foi um belo balde de água fria. Mas ruim mesmo é olhar a lista de preços do Fiesta. 
Cuidado com o bolso
Para este comparativo, reunimos aqui as opções com motor 1.6 dos dois modelos, a qual, no caso do Ford, é responsável por 70% do mix de vendas. Sendo assim, o Fiesta nessa configuração parte de R$ 37.650, R$ 4.960 mais caro do que o Logan Expression 1.6 8V (R$ 32.690) escolhido para esta disputa. A diferença é tão absurda que o Renault equipado com ar-condicionado, direção hidráulica, volante regulável em altura, travas e vidros elétricos, faróis de neblina e computador de bordo custa apenas R$ 40 a mais (R$ 37.690) do que o Fiesta de entrada, o qual já traz vidros dianteiros elétricos de série.
Com os mesmos equipamentos do Logan, acrescentando à versão Pulse do Fiesta o Kit Class, o preço do Ford sobe para R$ 42.810. Para ter uma noção ainda mais clara, por R$ 41.240 é possível levar para casa o Logan com todos os opcionais. Isso agrega, além dos importantíssimos freios ABS e airbag duplo, MP3 player com comando satélite, vidros traseiros elétricos, retrovisores elétricos na cor da carroceria, alarme, rodas de liga leve aro 15” e volante com revestimento de couro.

 
Já no Fiesta, com uma política de opcionais que não se complementam, o interessado tem que escolher entre o catálogo SEB1, que traz airbag duplo e freios ABS, ou o SEC1, composto por rodas de liga leve e o kit My Connection com MP3 player, Bluetooth e entradas auxiliares. Ambos tem o mesmo valor e elevam o preço do Fiesta para R$ 44.810. Pelo visto, o Fiesta Sedan está longe de atrair pelo custo/benefício.
No quesito manutenção, porém, a situação se inverte. Antes, é bom destacar que o Logan possui garantia de três anos contra um do Fiesta, desde que todas as revisões obrigatórias do Renault e do Ford sejam feitas nas concessionárias. Com pacotes fechados, as manutenções periódicas das duas marcas foram equivalentes. Contudo, a cotação de nossa cesta de peças (composta por para-lama esquerdo, retrovisor esquerdo, jogo de pastilhas, jogo de amortecedores e kit de embreagem) deslocou a balança a favor do Fiesta. Seu pacote sai por R$ 1.489, enquanto o do Logan nos custaria R$ 2.066.

Dentre os itens que mais chamaram a atenção encontram-se a diferença de quase R$ 300 a favor do Fiesta com relação ao para-lama esquerdo e de aproximadamente R$ 200, também para o Fiesta, dessa vez no jogo de amortecedores. Quem vai contratar um seguro também gastará menos com o Fiesta. A apólice calculada para nosso perfil padrão (homem, 40 anos, casado, sem filhos e residente na zona sul da cidade de São Paulo) e sem levar em conta bônus ou outros benefícios, saiu, em média, R$ 1.785 ante R$ 2.351 para o Renault.
Se somarmos a diferença entre peças e seguro dos dois, o Fiesta economiza R$ 1.143, valor que amortiza muito pouco os cerca de R$ 5.000 quando levamos em conta as opções de entrada. Além disso, na pista de testes, os dois “sedãzinhos” se mostraram bem parelhos. 

Na pista
Com pesos em ordem de marcha semelhantes (confira na ficha técnica), o Fiesta é movido pelo bloco 1.6 RoCam de 107 cv de potência a 5.500 rpm e 15,3 kgfm de torque a 5.000 rpm. Já o 1.6 Hi-Torque do Logan entrega 95 cv a 5.250 rpm e 14,1 kgfm a 2.850 rpm, ambos com etanol. Segundo nossas medições, para sair da imobilidade e atingir 100 km/h, o Ford precisou de 13s0, enquanto o Logan foi quase um segundo mais lento (13s8). No 0 a 60 km/h e no 0 a 80 km/h, o Fiesta também disparou na frente com os tempos de 5s1 e 8s6, respectivamente, contra 6s1 e 9s4 do Logan.
O Renault, entretanto, deu um belo troco nas retomadas, prova que nos dá indícios de como o carro se comportaria em uma ultrapassagem na estrada, por exemplo. Para ir de 40 a 100 km/h (3ª marcha) e de 60 a 120 km/h (4ª), ele levou 12s4 e 15s4, ficando bem à frente do Fiesta, que cumpriu as duas etapas em 13s2 e 19s0. Com um empate técnico nas arrancadas, já que cada um foi melhor em um tipo de medição, vamos analisar outros itens tão importantes quanto o desempenho. São eles: frenagem e consumo.
Com etanol, o Logan registrou 7,5 km/l na cidade e 10,6 km/l na estrada, média de 9,0 km/l. O Fiesta, por sua vez, percorreu 6,9 km/l em ciclo urbano e 11,9 km/l em percurso rodoviário, o que lhe confere um consumo médio de 9,4 km/l. Com relação aos freios, ambos mantiveram a paridade. Sem a assistência do ABS, os dois precisaram de 58,8 metros para parar vindos a 100 km/h. Já no 80 km/h até a imobilidade, o Fiesta usou 1,7 m de pista a menos.
Para dirigir, é inegável que o Fiesta é um carro mais agradável. O Logan, com seu câmbio de engates pesados e longos, cansa um pouco mais o motorista, enquanto sua suspensão é permissiva demais em termos de rolagem lateral da carroceria.
Mas como nenhum deles se digna a ser um esportivo, o Logan pelo menos compensa em dois atributos importantes entre os sedãs compactos: espaço interno e porta-malas. Quem já teve a oportunidade de andar no Renault sabe que nele cinco passageiros se acomodam sem problemas, e isso vale mesmo para quem tem mais de 1,80 m. O Fiesta dificilmente se iguala em espaço para pernas e cabeça. Se os passageiros da frente recuarem o banco, então, nem se fala.
Já no quesito porta-malas, é bom fazer uma ressalva. De fato o bagageiro do Logan, com seu espaço para 510 litros, é maior que o do Fiesta, com capacidade para 487 litros (sendo 478 l no local mais 9 l sob o piso). O Ford, porém, conta com dobradiças pantográficas, que não roubam espaço destinado à carga, diferentemente dos braços presentes no Renault.
Se o Fiesta 2011 mudou basicamente só na dianteira e na lanterna traseira, pelo menos o Logan, além da nova frente e das lanternas redesenhadas, contou com o esforço da equipe francesa para tentar sanar alguns problemas que causavam incômodo no modelo, tal como o acionamento dos vidros elétricos, que saiu do painel central e agora está na lateral das portas, e a inclusão do volante com regulagem de altura.
Há alguns anos, o resultado poderia ser diferente, mas pelo valor de compra bem mais compensador, o desempenho parelho, o maior espaço interno e para bagagens e as melhorias internas, o Logan leva essa disputa contra o Fiesta Sedan.

Renault Duster enfrenta Ford EcoSport

Duster vende mais que EcoSport na primeira quinzena de Novembro
Lider EcoSport Ou Novato Duster??
Qual é o mais vantajoso para você??
Em fevereiro de 2003, o Ford EcoSport foi lançado e virou sucesso de vendas com uma ideia muito inteligente: trazer para um número maior de pessoas a oportunidade de possuir um SUV, vislumbrando, oito anos antes, a atração que esse tipo de carro iria exercer nos brasileiros. Bem mais barato que o Chevrolet Blazer, até então o utilitário mais acessível, a aposta foi bem-sucedida. A sacada de colocar o estepe na tampa do porta-malas, no melhor estilo off-road, também acrescentou muito ao visual.  
A Fiat bem que tentou com a linha Adventure (que também obteve sucesso), mas faltava ao EcoSport um concorrente direto, concebido para ser um SUV, e não a adaptação de um carro de passeio. Faltava. Graças à romena Dacia, a Renault agora oferecerá uma alternativa ao Ford, que ainda contabiliza uma média notável de 3.500 unidades emplacadas por mês.  
O Renault Duster custa R$ 50.900 em sua versão mais barata, R$ 53.200 na Expression e R$ 56.900 na Dynamique, todas com motor 1.6 16V. A versão Dynamique com motor 2.0 16V sai por R$ 60.600 e com câmbio automático custa R$ 64.600. Com a tração integral, o Duster passa a custar R$ 64.600. Como a versão FreeStyle domina 65% das vendas do Ford, foi ela que trouxemos para desafiar o Duster em sua configuração equivalente, a Dynamique 1.6. Por algo em torno de R$ 56.900, ele já sai na frente ao trazer ABS e airbag. No EcoSport 1.6 FreeStyle, que parte de R$ 60 730, a dupla de segurança é opcional e custa R$ 1 700.
Fora essa discrepância, é fácil entender por que o EcoSport vende mais na opção FreeStyle, uma vez que ela traz os itens mais valorizados nesse tipo de modelo, como MP3 Player, ar-condicionado, direção hidráulica, trio elétrico e rodas de liga leve (aro 15”, contra 16” no Duster). Logo, em equipamentos os dois se equivalem, mas o Renault tenta se diferenciar ao oferecer pequenos mimos, como as capas dos retrovisores cromadas.    
Se por dentro o EcoSport já está “cansado” demais e precisa logo de uma renovação (a nova geração está programada para estrear no próximo ano), o Duster não está tão na frente no quesito acabamento interno, ao compartilhar o projeto com a dupla Logan/Sandero. 
Pelo menos o Duster Dynamique trabalha com o uso de plásticos diferentes, e uma máscara “black piano” no console central dá um bom aspecto ao interior da cabine. Mesmo assim, quando você precisa abrir os vidros e se depara com os botões na lateral da porta, não dá para negar o aspecto de solução improvisada. 
Apesar de ser um projeto mais novo, o Duster deixa a desejar em algumas soluções internas. No Ford sem airbag, por exemplo, um providencial compartimento refrigerado ajuda a manter alimentos perecíveis ou uma bebida livre do calor.
Embaixo do assento dianteiro direito do Ford também é possível encontrar um prático porta-objetos, que ajuda a compensar as limitações do porta-malas de 296 litros. Pelo menos, o Duster abriga melhor os cinco passageiros que pode levar, em parte graças à maior largura da carroceria, e seu porta-malas comporta 475 litros. 
Se a ideia é uma aventura leve, já que ambos não possuem tração 4x4, o Duster se sairá ligeiramente melhor por possuir ângulos de ataque (30°) e de saída (35°), além da altura em relação ao solo (21 cm), melhores que os do Ford, com 28°, 34° e 20 cm, respectivamente.
Tanto o EcoSport como o Duster não deixam você na mão quando o assunto é desempenho. Seus números na pista, inclusive, foram bem próximos, com uma leve vantagem para o Duster nas retomadas. Já no consumo de etanol, o Duster deu uma bela derrapada e foi 1,1 km/l pior na média PECO.  O SUV da Renault ficou com 7,1 km/l de média, enquanto o EcoSport alcançou 8,2 km/l no etanol. 
Mesmo superior nas dimensões, o Duster tem dirigibilidade semelhante à do EcoSport. Com rodas e pneus maiores, ele foi melhor em altas velocidades, principalmente nas curvas, ponto em que o Ford pede atenção. No trabalho da suspensão, o conjunto McPherson na dianteira e semi-independente (eixo de torção) na traseira do Duster foi melhor na absorção de irregularidades do piso. 
A vantagem de já possuir ABS de série ajudou muito o Renault nas provas de frenagem e deixa claro como o equipamento é importante. Na prova de 100 a 0 km/h a frio, por exemplo, o Renault precisou de 40,8 m para parar, enquanto o Ford percorreu longos 49,8 m, uma diferença bastante considerável.
Para quem quer mais desempenho — e segurança, no caso do EcoSport —, os dois SUVs também contam com motores 2.0. Com ele, o EcoSport FreeStyle atinge R$ 65 780 e conta com ABS e bolsas infláveis de série. 
Melhor em alguns pontos que o Ford EcoSport, o Duster supera o rival ao atacar com determinação o ponto fraco do concorrente, ou seja, capricha no acabamento interno e oferece porta-malas maior e mais espaço interno. Mesmo assim, ele não é um produto anos-luz à frente do modelo da Ford, tanto que sua vitória se deu por apenas 7,5 pontos. 
Essa pequena vantagem sobre o concorrente poderá ser anulada ou mesmo revertida na próxima geração do Ford EcoSport, mas é preciso esperar para ver. De qualquer maneira, o mais importante é que essa será uma briga benéfica para nós, consumidores.
1º - Renault Duster – Média 7,1
Quase nove anos após o lançamento do EcoSport, os brasileiros finalmente terão a possibilidade de escolher entre outro modelo semelhante. O Duster não é um divisor de águas no segmento dos SUVs compactos e venceu o Ford em alguns quesitos pontuais. Sua estratégia, assim como a da dupla Logan/Sandero, será fortemente apoiada no custo-benefício e, com isso, a rede Renault terá um forte argumento para convencer quem pisar nas lojas da marca. Destaque para o bom nível de equipamentos, que contempla ABS e airbag de série na Dynamique, a suspensão bem-acertada e os três anos de garantia, mesmo período oferecido para o EcoSport. Enquanto a nova geração do EcoSport não estrear, ele tem boas chances de sucesso no mercado.
2º - Ford EcoSport – Média – 6,9
A Ford sabe que precisa renovar o EcoSport, tanto é que investe em promoções como taxa de juros zero para mantê-lo atraente. Com a primazia de quem praticamente inaugurou um segmento no país, justiça seja feita, o modelo também não está tão defasado assim. Seu motor 1.6 8V confere a ele um bom desempenho e o modelo ainda é bom de dirigir, assim como o Fiesta, seu “primo” de plataforma. Bem que a marca poderia oferecer freios com ABS e airbags como itens série também para o FreeStyle 1.6, o que proporcionaria maior segurança ativa e passiva.